Projeto JuçaraMeio ambiente e desenvolvimento comunitário

Manejo Sustentável

Patrocínio PetrobrasO manejo dos frutos da juçara (E. edulis) para obtenção da polpa alimentar e de sementes, pode ser considerado como uma importante estratégia de conservação desta espécie e das florestas nativas, além de do potencial sócio-econômico da segurança alimentar e geração de renda das comunidades na Mata Atlântica. O estímulo para manejo dos frutos, ao invés do palmito, pode contribuir consideravelmente para reduzir a pressão sobre esta espécie e contribuir na resolução de conflitos socioambientais relacionados ao uso de recursos naturais por comunidades em áreas de interesse para conservação.

O manejo sustentável da palmeira juçara na Mata Atlântica vem sendo desenvolvido pelo IPEMA e AKARUI em estreita parceria com as comunidades tradicionais e agricultores familiares, e com a Fundação Florestal, através dos Núcleos Picinguaba e Santa Virgínia, nos municípios de Ubatuba, São Luiz do Paraitinga e Natividade da Serra, de forma que a colheita dos frutos não interfira negativamente no estoque de alimento para fauna, produzindo assim polpa alimentar, sementes e mudas destinadas ao repovoamento da espécie, hoje ameaçada de extinção.

Os locais de colheita são em sua maioria quintais, fragmentos florestais em diferentes estágios de regeneração (Capoeiras), floresta primária e áreas de cultivo agrícola como bananais tradicionais, roças e agroflorestas.

A retirada dos cachos é sempre realizada de forma a deixar no mínimo um cacho na palmeira, para garantir sua reprodução, alimento para as espécies e produção de sementes, conforme dito acima.

A coleta dos frutos é feita principalmente pela escalada manual com uso de pecunha, um saco de anilha, que é colocado nos pés, oferecendo suporte e segurança para a escalada na árvore. É método tradicional de escaladores de palmeiras, como coqueiros, açaí, etc,. Outros métodos de colheita também podem ser utilizados:

  1. Podão ou Foice: Podão – ferramenta própria para a poda de galhos e/ou colheita de flores, frutos e folhas de árvores; Foice – ferramenta utilizada principalmente para atividade de roçada;
  2. Escada: feita de materiais leves e “dobráveis”, permite a entrada em locais de mata fechada; já as de bambu ou madeiras leves podem dificultar o transporte em longas distâncias de floresta;
  3. Sapato de árvore (Sapata): artefato que é colocado na bota e que possui tipo de alças laterais que envolvem o tronco da palmeira.

A colheita é realizada por duas pessoas ou mais, sendo que uma escala a palmeira e retira o cacho, enquanto outra recebe o cacho e o encaminha para ser debulhado em uma lona limpa, previamente colocada em local estratégico na área de colheita (veja fotos). Porém em muitos momentos é uma atividade praticada de forma comunitária, ou seja, diversas pessoas se reúnem em momentos que se tornam bastante prazerosos.

A retirada dos frutos do cacho deve ser feita, sempre que possível, ainda no local da colheita. Após a debulha, o cacho pode ser descartado, e os frutos acondicionados em balaio, saca ou caixa.

O intervalo de tempo entre a colheita e o processamento não deve ser superior a 12 horas, sendo ideal que não ultrapasse 4 horas. Durante toda a atividade é necessário ter o maior cuidado com os frutos, pois qualquer dano inicia o processo de oxidação da polpa e reduz a qualidade do produto, por isso evitam-se impactos durante o transporte, contato com o solo e exposição prolongada ao sol/calor.

Para evitar a perda de qualidade dos frutos, e consequentemente da qualidade da polpa, a colheita é feita, de preferência, na parte da manhã e a despolpa na tarde do mesmo dia.

Para o processamento da polpa, após a lavagem e higienização dos frutos, estes são despolpados em equipamento elétrico (despolpadeira) com adição de água de acordo com a consistência de polpa desejada. Então a polpa é embalada e levada ao freezer para congelamento logo após o envase.

O processamento dos frutos ocorre tanto nas casas dos produtores, para consumo próprio, como em local adequado segundo as exigências sanitárias, destinados à comercialização e entrada em mercados institucionais (utilização na merenda, por exemplo).

No momento o projeto vem trabalhando na implementação de uma unidade de beneficiamento dos frutos da juçara, em uma das comunidades tradicionais envolvida no manejo da palmeira, que atenda as exigências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da Vigilância Sanitária do município de Ubatuba. Além disso, todas as áreas envolvidas na produção deverão ter um Plano de Manejo, aprovado pela Unidade de Conservação.

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